Uma das coisas que mais gosto de fazer durante as férias, é ler. Na
verdade, amo ler em qualquer período do ano. Mas é nos meses de janeiro e
fevereiro que me dedico mais a essa prática saudável. Tenho alguns autores
preferidos, a britânica Agatha Christie é uma delas. Em 2012, como não poderia
ser diferente, iniciei minhas leituras com a rainha do crime. “Noite sem Fim”,
um livro que ganhei de uma colega de trabalho, foge ao costumeiro desenrolar
das obras de Agatha. A trama é contada pelo jovem aventureiro Michael Rogers.
Surpreendente até o último capítulo. Indico a todos!
Entretanto, não estou aqui para falar do livro (embora, poderia fazer
isso sem maiores problemas), mas sim, do seu conteúdo. Em cada livro que leio,
seja ele de ficção, romance ou drama, sempre consigo retirar alguma lição das
palavras escritas. No “Noite sem Fim”, li uma frase que me marcou. Em uma das
passagens, o personagem Mike disse: “Acredito que as coisas mais curiosas da
vida são aquelas de que nos lembramos. Suponho que a gente se lembre do que
quer. Algo dentro da gente faz a escolha.” (página 19)
Nossa lembrança é seletiva, eternizamos apenas aquilo que queremos
eternizar. No entanto, não temos consciência dessa ação. Mesmo envolvida no
drama das personagens, acredito que essa frase independe do contexto e pode ser
utilizada como forma de reflexão. É engraçado como as lembranças são
extremamente limitadas. Lembramos de alguns fatos, esquecemos outros tantos. Há
aqueles que são insignificantes, outros, porém, importantes e inesquecíveis
para você.
Fechamos os olhos e conseguimos voltar no tempo, relembramos: um
brinquedo que ganhamos na infância, um banho de chuva com os primos, uma música
no primeiro encontro, a formatura da escola, uma dança com os amigos, um gosto,
uma comida feita pela avó, uma viagem especial, a festa de 15 anos, ou então,
um veraneio em família. Lembramos também o primeiro emprego, o vestibular, um
desenho animado que você assistia, o primeiro carro, um sorriso, um momento
triste, uma tatuagem, ou talvez, uma decepção amorosa.
Muitas vezes, o que é importante para você, passa completamente
despercebido por outra pessoa. É inexplicável. Tem momentos da minha infância
que tento me recordar e não consigo, por mais que eu queira não me vem nenhuma
imagem se quer. Por outro lado, há ocasiões que ficam marcadas na memória.
Nossas lembranças nos constituem, nos completam, fazem de nós o que
somos e o que nos tornamos. Justificam decisões e, inclusive, moldam o futuro.
Há memórias que duram uma vida inteira, outras são temporárias e superficiais.
Às vezes estudamos um conteúdo na escola, tiramos uma boa nota na prova, mas
depois esquecemos tudo.
Você se lembra da matéria de logaritmos? Histologia? Paralelismo
sintático e semântico? Tenho que admitir que eu não recordo de quase
nada. Por outro lado, tem momentos que jamais vão sair da minha cabeça.
Precisamos aceitar que não escolhemos as nossas lembranças, elas
são involuntárias. Simplesmente acontecem. Talvez daqui há dois dias você nem
se recorde dessa publicação, ou talvez, ela seja incluída no seu banco de
dados. Aceite as suas lembranças e faça desses lapsos um grande filme que
represente a sua história.
Para mim, todos os momentos especiais encaixam-se perfeitamente em uma
trilha sonora. Epitáfio do Titãs é a música de hoje.

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