Hoje me acordei meio down. Lembrei-me da infância, do inicio da adolescência e chorei. Chorei de saudade, chorei de alegria e de tristeza. Chorei por saber que este tempo não voltará.
Quando estava com 12 anos era feliz e não sabia. Tinha a vida inteira pela frente, tinha paz e tranquilidade. Não existiam compromissos nem regras. A única obrigação era seguir em frente. Nesta época, eu era mais família. Meu jeito envergonhado afastava os outros. Por estar acima do peso, sofria com piadas a respeito da minha aparência.
Mudei. Com 15 anos estive no auge. Bonita, engraçada e com apenas um objetivo: diversão. Festas todo dia, dormir para que? Orkut e MSN eram alvos de discórdia, mas também uma maneira de conhecer mais pessoas e conversar com aquelas, que tínhamos medo de falar pessoalmente.
Com 17 estava formada. O colegial finalmente tinha chegado ao fim. O que não percebi é que com ele acabou as manhãs regadas a estudo e diversidade. No fundo era bom ter 12 professores, cada qual com o seu jeito. Era bom aprender, saber de coisas que hoje quase não recordo. Além disso, era uma rotina. Acordar cedo e ir para o colégio. Ver durante anos, as mesmas pessoas, criar uma nova família.
Hoje com 20 tento me encontrar. Saber quem realmente eu sou, o que gosto e que tipo de ser humano me tornei. Sinto falta desse período da vida, em que não tínhamos a obrigação de virar adulto, somente vivíamos o momento.
Trabalho, faculdade. Cada um dos 40 colegas seguiram rumos totalmente diferentes. Uns até vejo, vez ou outra, mas se tornar “gente grande” nos exige muito. Estou no meio do caminho. Sinto-me, às vezes, uma guria com a adolescência roubada. Em outras, pareço-me tão correta e ríspida que me acho madura demais. Ainda não me descobri.
Vejo na televisão, gurias que com 20 anos, já colocaram silicone, têm três filhos, já participarem de reality show, trocaram 25 vezes de namorados, administram grandes empresas, foram expulsas da faculdade, viraram mulheres frutas, atuam, modelam, cantam, apresentam, enfim, tantas coisas. Reflito e penso que de repente o problema é comigo.
Certo dia, perguntei à minha mãe: Sou infantil ou essas meninas que estão muito desenvolvidas? A resposta foi direta. Ela disse que eu também aparento a idade que tenho. Na verdade, isso não me surpreendeu, pois sempre acharam que eu fosse mais velha do que realmente eu era.
Mas em sua resposta, percebi que o tempo não parou. Pode ter parado no coração e na mente. Por dentro, sinto-me aquela menina ingênua dos 12, aventureira dos 15 e insegura dos 17. Por fora, porém aparento ter 20 anos e todas as consequências que esses dois numeruzinhos trazem.
Então, não há mais jeito. Temos que manter a nossa essência de juventude, mas encarar que por fora o tempo passa e, muitas vezes, é cruel. A vida é difícil, é corrida. E no meio desse turbilhão temos que sobreviver, cheios de dúvidas, medos e incertezas. Vivendo sem saber e nem ao menos conhecer o estranho amanhã.

Parabens amor, muito boa tua cronica ou texto sei la :P
ResponderExcluirMuito bom mesmo
Beijooo