
Eleito o símbolo de Porto Alegre, a escultura do Laçador representa a idealização do típico gaúcho, segurando laço e olhando para o horizonte. Entretanto, não são todos que concordam com esta adoração.
No texto a “Hipérbole e Narciso”, do jornalista Renato Dalto, publicado no jornal MARGS, em março de 2004, o autor faz críticas a estátua, onde destaca entre outros fatores a sua postura e vestimenta.
Segundo a argumentação do jornalista, o uso de esporas só deve existir quando o peão estiver montado a cavalo, o que já acumularia em um grande erro da arte. Outra questão levantada é o olhar altivo para o horizonte, comparando-o com o mito de Narciso.
Mas, será que a estátua deve retratar a história fiel dos fatos ou uma mensagem romantizada de um acontecimento?
Com certeza, o objetivo do Laçador, não é representar fielmente a indumentária gaúcha, mas ilustrar o sentimento e o orgulho de cada cidadão rio-grandense. Mais do que um narciso cinzento, o laçador projeta o sentimento de perseverança, coragem e determinação dos heróis do passado. Seu olhar perdido no horizonte demonstra para a população, que é preciso estar de cabeça erguida. Devemos superar os problemas da maneira mais adequada, com ou sem cavalo.
De acordo com Hermano Vianna, doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ, "Em muitas cidades brasileiras, para muitos jovens, ser gaúcho se tornou uma 'opção identitária' tão válida, tão 'reconfortante' e tão divertida quanto ser punk ou ser surfista", afirma.
Narciso tinha orgulho de si mesmo. O laçador espelha o orgulho do povo nas suas origens e conquistas. A tradição gaúcha, não é encontrada somente em CTG’s, mas, no hino que é cantado com bravura nos estádios de futebol, na cultura do chimarrão e nos churrascos em família. Não é preciso estar vestido de peão ou prenda para ter este sentimento aflorado.
Por um lado, existem pessoas, como o jornalista Renato Dalto, que são contra o orgulho exagerado, por outro, há aqueles que acreditam que a escultura reflete o gaúcho na sua essência. Contradições a parte, o que importa é que passados tantos anos, a cultura do Rio Grande do Sul ainda é comemorada pelo povo. Com as modernidades e as constantes inovações tecnológicas, o tradicionalismo precisa se renovar e se adaptar às novas gerações, caso contrário pode cair no esquecimento.

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