quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Inversão de papéis


Durante poucas vezes me permiti parar e pensar sobre a vida. Refletir as coisas que nos cercam exige tempo e paciência. É incrível a transformação que passamos desde a infância até a fase adulta.


Vejo hoje meus avós com rugas, memória fraca e uma mobilidade limitada. Tempos atrás, eles é que cuidavam de mim. Do lado oposto, acompanho o crescimento dos meus primos. Surpreendo-me com pequenas atitudes como, por exemplo, aprender a escrever o nome ou realizar uma conta de matemática.
 Comemorar o aniversário é uma questão de escolha. Porém, mesmo sem os festejos anuais, a idade é o presente que sempre ganhamos, querendo ou não e o pior é que não temos a opção de troca. A vida ocorre em fases. No momento em que nascemos o mundo é a janela para novas descobertas. Adolescência é o momento de se arriscar e aprender com os erros. Fase adulta exige do ser humano amadurecimento pessoal, social e profissional. Por fim, envelhecemos. Mas, com que idade podemos nos considerar idosos? 60?70?80? Vamos, deem o seu palpite.
Para mim, a idade está nos olhos de quem vê. Por fora somos um ser como outro qualquer, frágeis e mortais. Mas, dentro do corpo quem comanda é a mente. É comum vermos senhores de 80 anos com todo pique, trabalhando, dirigindo e até fazendo aulas de dança. A qualidade de vida aumentou. Vivemos mais e melhor. Muitos jovens perdem fácil para estes “novos velhinhos”. Os aposentados dão um banho de juventude e bom humor. Fazem piada da própria aparência, divertem-se. Manter a vida saudável com bons hábitos alimentares, praticar exercícios e ter um prazeroso relacionamento social. Segundo os especialistas esta é a receita ideal para uma vida longa.
Proponho um desafio. Somente no dia de hoje, observe ao seu redor. Veja as pessoas que estão presentes no seu cotidiano. Ajude um idoso, tenha paciência, calma. Repita quantas vezes for necessário e, se não adiantar, repita novamente. Não fique nervoso ou com raiva da situação. Pense que quando éramos pequenos, esses simpáticos velhinhos, hoje tão dependentes de nós, dedicaram o seu tempo para nos criar. Valorize! Os cabelos brancos provam que a vida já lhes ensinou muito. Escute as histórias, mesmo que já as conheça. Pergunte como eles estão. Sorria. Infelizmente ou felizmente, o homem não encontrou antídoto para a morte. E por mais difícil que seja, um dia ela chegará para todos nós. Preserve os bons momentos que você tem a oportunidade de vivenciar ao lado da sua família. E não esqueça: o jovem de hoje é o velho de amanhã! 

Dedico essa crônica aos meus avós. Agradeço eternamente por tudo que fizeram por mim. Já aqueles que não tive o privilégio de conhecer, desejo que possam me guiar do lugar aonde estiverem.

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